Meu pescoço contorcia-se juntamente com a respiração quente que me segredava na pele um desejo contido por demasiado tempo. Capto os sons da carne que se fundem num martírio de sensações. A razão fora sacudida com tamanha brutalidade que deixara de conseguir ouvir o sussurrar da consciência. O meu corpo era agora o prolongamento das tábuas que suportavam nossos corpos sôfregos e que sucumbiam na berma da loucura. Abres os olhos e respondes-me com o olhar perdido. O chão era a moldura perfeita do rasgar do tempo extraviado por nós. Sinto tuas mãos afastarem-me a roupa do corpo, ali, prostrada no chão. Rendo-me como se fosse forma única de sobrevivência ao caos instalado. Deixei-me ficar ali, inerte, sem força para ripostar numa última tentativa de chegar à consciência confiscada por tuas mãos. As sombras transformavam-se em criaturas nocturnas metamorfoseadas no silêncio amplificado.
Tomo as rédeas da dança e prego-te os pulsos contra o chão, vejo tua pele reluzir na escuridão, teu cheiro, doce afrodisíaco, permito-me ao devaneio e levo-te a caminhos sem possibilidade de retorno.
Cravas-me as unhas na pele e percorres-me o corpo com delicada mestria. A saliva quente mistura-se com a vontade de querer ir mais além, mas a espera era o catalisador perfeito para uma insanidade intencionada.
«Quero-te!»
Passeias-me os lábios húmidos pelo dorso enquanto te imagino dentro de mim. Nossos corpos brilhavam lânguidos de prazer. Afastas-me o cabelo esparso e beijas-me os contornos da face. Tuas mãos aveludadas fazem-me tremer. Sinto teu membro hirto encostado a mim, afastas-te semicerrando o olhar mostrando-me que teria de ser eu a tomar as rédeas. Mas é no pináculo do desejo que nos embriagamos de vontade, ainda que a entrega tivesse de ser meticulosamente calculada. Era um jogo perigoso, audaz, prestes a ser dominado pelos corpos famintos.
Entrelaçamo-nos despidos de preconceitos e entregámo-nos como que se não existisse outra alternativa. Senti-me inundar de prazer e quando nossos corpos passaram a ser um só deixei de respirar, o corpo contorcia-se colado ao teu e deixara de respondera aos meus comandos, preguei minhas mãos no chão, outrora firme, na tentativa de perceber se estaria eu ainda viva. Perdemos a noção do espaço e do tempo!
Não existia consciência que desse corpo à culpa infligida pele debulhar do desejo.
Ainda exausto afagas-me o rosto com a expressão de quem tinha encontrado uma certa paz.
«Amo-te!»
«Não me ames agora, não sem que antes possas recuperar do êxtase e sentir com a verdadeira tenacidade da razão. O desejo tolda-nos a mente e perscruta-nos a alma numa tentativa irrealista de entender o momento.»
Ainda deitado ao meu lado ris-te como uma criança, enquanto desenhas em minha pele traços de uma qualquer felicidade.
«Lá estás tu com as tuas filosofias!»
Tomo as rédeas da dança e prego-te os pulsos contra o chão, vejo tua pele reluzir na escuridão, teu cheiro, doce afrodisíaco, permito-me ao devaneio e levo-te a caminhos sem possibilidade de retorno.
Cravas-me as unhas na pele e percorres-me o corpo com delicada mestria. A saliva quente mistura-se com a vontade de querer ir mais além, mas a espera era o catalisador perfeito para uma insanidade intencionada.
«Quero-te!»
Passeias-me os lábios húmidos pelo dorso enquanto te imagino dentro de mim. Nossos corpos brilhavam lânguidos de prazer. Afastas-me o cabelo esparso e beijas-me os contornos da face. Tuas mãos aveludadas fazem-me tremer. Sinto teu membro hirto encostado a mim, afastas-te semicerrando o olhar mostrando-me que teria de ser eu a tomar as rédeas. Mas é no pináculo do desejo que nos embriagamos de vontade, ainda que a entrega tivesse de ser meticulosamente calculada. Era um jogo perigoso, audaz, prestes a ser dominado pelos corpos famintos.
Entrelaçamo-nos despidos de preconceitos e entregámo-nos como que se não existisse outra alternativa. Senti-me inundar de prazer e quando nossos corpos passaram a ser um só deixei de respirar, o corpo contorcia-se colado ao teu e deixara de respondera aos meus comandos, preguei minhas mãos no chão, outrora firme, na tentativa de perceber se estaria eu ainda viva. Perdemos a noção do espaço e do tempo!
Não existia consciência que desse corpo à culpa infligida pele debulhar do desejo.
Ainda exausto afagas-me o rosto com a expressão de quem tinha encontrado uma certa paz.
«Amo-te!»
«Não me ames agora, não sem que antes possas recuperar do êxtase e sentir com a verdadeira tenacidade da razão. O desejo tolda-nos a mente e perscruta-nos a alma numa tentativa irrealista de entender o momento.»
Ainda deitado ao meu lado ris-te como uma criança, enquanto desenhas em minha pele traços de uma qualquer felicidade.
«Lá estás tu com as tuas filosofias!»



