Vista a pele de uma velha camisa de dormir que, por engano, é colocada no guarda-fatos mesmo junto à roupa mais luxuosa e cara.
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(Imagem da Web)
Era dia de arrumações, dia em que supostamente iria permanecer no mesmo canto, encafuada em mofo e desprezo. Já me acostumara a escuridão e ao desalento do rolar do tempo pelo infinito. Era apenas mais uma peça no meio de tantas outras que não produziam qualquer tipo de efeito quando avistada no meio de tanta lugubridade. A emoção do dia das arrumações havia-se desvanecido ao longo dos tempos, e o espreitar da luz do dia por entre os entalhes das portas era por si só algo mais que suficiente no desenrolar do dia a dia.
A porta abrira-se quase que por magia, dela emanava uma sensação de alegria, inovação e um suspiro – de alívio.
Fui levada com estranha leveza através dos vários compartimentos de uma casa em tons alegres, vivos, enérgicos. Para onde iria eu? Os corredores nada tinham a ver com o canto amorfo em que estava encostada – há séculos?
Cada espaço era movido por cores inebriantes e cheiros familiares – caseiros.
O transporte, meticulosamente cuidado, voluptuoso, erguia-me no alto como se houvesse medo em me encostar a um qualquer objecto capaz de interferir com a minha integridade física. Sentia-me protegida.
Quais portas da divina redenção e uma vida ausente de alegria, abriram-se diante de meus humildes botões quase que por magia, soltando um ar caloroso, reconfortante. Seria o meu novo lar – até quando? Depressa a minha alegria fora esquartejada pelo desviar repentino das outras peças que ali repousavam antes da minha chegada. Parecia ser portadora de algum tipo de enfermidade, tal era a repulsa provocada no meio do Oásis a que tinha chegado.
- Não pertences aqui!
- Porquê?
- És velha, gasta, demasiado usada para repousares neste pequeno canto de peças novas e cheias de vivacidade.
- Apenas serei o que quiserem que eu seja.
- Desengana-te minha querida, o teu tempo já passou.
- Sou feita da mais fina seda, embora gasta e usada, a minha qualidade jamais será ultrapassada pela modéstia das linhas que te compõem.
- Isso é o que tu pensas.
- Voltei, algo deverá significar.
- Por engano!
- Será? Incomodada ou não, eu vim para ficar, e tu, não sabes se no próximo dia de arrumações permanecerás neste canto luxuoso a que te achas fiel merecedora. Um dia, tal como todas as peças aqui presentes, passarás à história.
- Insolente!
- Mas feliz!
A porta abrira-se quase que por magia, dela emanava uma sensação de alegria, inovação e um suspiro – de alívio.
Fui levada com estranha leveza através dos vários compartimentos de uma casa em tons alegres, vivos, enérgicos. Para onde iria eu? Os corredores nada tinham a ver com o canto amorfo em que estava encostada – há séculos?
Cada espaço era movido por cores inebriantes e cheiros familiares – caseiros.
O transporte, meticulosamente cuidado, voluptuoso, erguia-me no alto como se houvesse medo em me encostar a um qualquer objecto capaz de interferir com a minha integridade física. Sentia-me protegida.
Quais portas da divina redenção e uma vida ausente de alegria, abriram-se diante de meus humildes botões quase que por magia, soltando um ar caloroso, reconfortante. Seria o meu novo lar – até quando? Depressa a minha alegria fora esquartejada pelo desviar repentino das outras peças que ali repousavam antes da minha chegada. Parecia ser portadora de algum tipo de enfermidade, tal era a repulsa provocada no meio do Oásis a que tinha chegado.
- Não pertences aqui!
- Porquê?
- És velha, gasta, demasiado usada para repousares neste pequeno canto de peças novas e cheias de vivacidade.
- Apenas serei o que quiserem que eu seja.
- Desengana-te minha querida, o teu tempo já passou.
- Sou feita da mais fina seda, embora gasta e usada, a minha qualidade jamais será ultrapassada pela modéstia das linhas que te compõem.
- Isso é o que tu pensas.
- Voltei, algo deverá significar.
- Por engano!
- Será? Incomodada ou não, eu vim para ficar, e tu, não sabes se no próximo dia de arrumações permanecerás neste canto luxuoso a que te achas fiel merecedora. Um dia, tal como todas as peças aqui presentes, passarás à história.
- Insolente!
- Mas feliz!
Texto escrito para o Campeonato Nacional de Escrita Criativa
1 comentários:
Ainda não tinha passado por esta história. Adorei o diálogo. Magnífico!
Beijos
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