Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Slow motion seeker

Ouvindo uma melodia tranquila e em paz de espírito comigo mesma, encosto-me a uma parede, fecho os olhos e sinto o teu respirar, suave e doce...miragem que me transporta para bem longe daqui...sinto uma mão no meu rosto, uma suave caricia que me diz estar a sonhar...volto à realidade, mas mais tarde, ninguém me acordará. És meu, apenas em sonhos...mas em deliciosos passeios nocturnos por meu pensamento, aí, ninguém me roubará deste meu estado...és meu, em pensamentos que seja...mas nessa terra que ninguém conhece, sou tua, não preciso esconder-me de ninguém, entrego-me a ti em mais uma balada de caricias e promessas de um amor que será sempre eterno para mim...
...ansiosa por mais uma noite de doces tentações fecho-me neste meu mundo que só a ti pertence...com receio da censura nego amar-te...mas sou tua..e sempre serei. Nada nem ninguém me roubará deste pecado que meu corpo rejeita abandonar...só tu conheces cada poro meu...cada trocar de caricias e beijos que só tu reconhecerias como meus, um jeito de tocar que só eu saberia ser teu...um suspirar que só nós sabemos sentir...pelo menos neste meu mundo, és só meu...e eu apenas tua...num trocar de carícias relembro o quanto só tu me conheces, o quanto só tu me descobriste...
...lugar que mais ninguém conseguirá ocupar...nosso doce leito, só nosso, para sempre nosso.
...fragmentos de uma memória lacrada em meu corpo deliciam-me nesta noite...vejo-te num teatro de cores vivas, sorris para mim e dizes ser meu neste cântico nocturno. Rasgo meu rosto com um sorriso repleto de felicidade e digo-te que irei seguir-te, sempre, neste compasso em slow motion, criado só para nós...
Dir-me-ás que a realidade nada nos espera...mas prefiro sonhar, e abrir os olhos com um sorriso de quem é feliz, por breves momentos que sejam, mas saber que um dia te vivi...o teu mal faz-me tão bem...
...só não digas querer-me bem, pois esse querer faz-me tão mal!
Abraça-me, em pensamentos que seja, neste compasso só nosso, criado para nós, nesta noite! Por quanto tempo? Não sei...
...estou amarrada ati mesmo sem querer...toda a eternidade será pouco tempo para deixar de te amar...Infelizmente não consigo deixar-te partir!

Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Uma pequena introspecção

Quantas vezes não vos aconteceu terem daqueles dias em que pensam que nada vos podia correr pior. Tenho momentos em que me passam um rol de emoções pelas veias e quase que sinto a carótida romper do corpo. Gostava de acreditar que são apenas puras coincidências do quotidiano vivido por milhares de pessoas ao mesmo tempo...mas...enfim, sendo coincidências ou não, a verdade é que tenho dias assim. Nestes dias sinto um desejo enorme de baixar os braços e isolar-me do mundo, esquecer que existem pessoas lá fora, é como se uma força gigante me esmagasse contra o solo impedindo-me de agir...reagir...é sufocante...
...mas depois de mais um dia extenuante, ex que uma voz omnipresente me diz: "tem calma, alguma coisa boa isso aí tem que ter...Bom, em tom de reflexo disse: "só se for o momento em que me vou embora daqui e esqueço que isto existe por dois dias." Ouço uma gargalhada de gozo e uns instantes ausentes de palavras. Algo parecido com, talvez raiva, apoderou-se do meu tom de voz e respondeu: "gostava de te ver na minha pele, por um dia que fosse..!"
Estranhamente, fique a pensar no assunto, embora já me tenham dito algo semelhante imensas vezes, naquele momento senti-me tão pequena no exagero que estava a criar em meu redor...a verdade é que me forço diariamente em odiar o inevitável, o dia a dia extenuante, as angustias constantes e o cansaço que teima em permanecer até sair daqui...e esqueço-me do mais importante, esqueço-me de tentar canalizar tudo isso e olhar para o que há de bom à minha volta.
Embora este universo me deixe sem a menor vontade de tirar um braço da cama, tenho à minha volta algo que não se compra em lado nenhum, não se adquire só pela vontade de querer, nasce na pureza do ser, a amizade...por muito banalizado que o conceito se tenha tornado, aqui, neste pequeno universo alheio de tudo, somos amigos, companheiros de tudo e para tudo. Aqui, presos nesta esfera intocável, somos, com ou sem defeitos, com bom ou mau feitio, apenas a junção de uma heterogeneidade de personalidades que nos faz crescer dia após dia, que nos ajuda e ensina a dar valor a pequenas coisas que outrora nem havíamos reparado que existiam à nossa volta.
Ver e sentir que aprendo algo todos os dias, é muito mais importante do que reclamar com a vida apenas pela facilidade implícita no acto de reclamar.
Gosto de sorrir, rir...adoro sentir o calor das minhas bochechas após uma boa dose de gargalhadas...chegar ao quarto e não me conter em brincar com esta ou aquela "parolice" dita por mim ou por alguém...chama-se brincar com a adversidade antes que seja ela a brincar connosco...
Escrevo aqui, hoje, porque alguém me disse para tentar procurar algo de bom nesta minha nova vida, que talvez fosse uma boa psicoterapia...não que eu acredite muito em psicólogos, mas, desta vez tenho que me render às evidências, após um leve exercício mental não pararam de surgir momentos agradáveis, passados aqui, neste universo alheio de tudo...

Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Conversas Penso Higiénico

Começo por dizer que escolhi um título tão ridículo como o conteúdo deste post, quer dizer, não o post em si, mas o assunto que me leva a escrever.
Esta manhã foi-me comunicado que iria dar-se lugar uma reunião apenas com mulheres, sobre a qual não fora desvendado o assunto. Curiosa, dirigi-me à sala onde se deu o referido evento. Uma recém chegada superior hierárquica fora apresentada pelas chefias e foi-nos dito então que a mesma iria tentar transmitir-nos "algo" por ser mulher e ter a dita "sensibilidade" necessária para lidar com tais assuntos, e que só estava ali para nos ajudar. Logo ali foi-nos pedido para não nos sentirmos diminuídas pelo facto de sermos mulheres e aquela reunião estar a acontecer, pois ninguém estava ali para criar juízos de valores em relação a ninguém nem era objectivo tratarem-nos de maneira diferente, apenas concluíram que as mulheres necessitam de um porta-voz feminino para se tratarem de determinados assuntos. Meu deus, fiquei alarmadíssima, o que é que uma outra mulher teria para me dizer, ou eu a ela, que não pudesse falar com um homem?
Bem, a reunião teve início com uma breve apresentação onde seguidamente se deu lugar ao espectáculo mais ridículo de todos os tempos.
O primeiro tema da reunião, aspecto e estado físico das mulheres. Passei a mão pela cabeça e quase em demonstração de cólera decidi não proferir palavra alguma. Pelos vistos continuamos na idade da pedra, porque algumas pessoas ainda acham que as mulheres têm de provar ao mundo e à sua vizinhança que somos iguais aos homens, que não podemos dar motivos para falarem de nós, então, é muito importante dizer a mulheres crescidas (pensava eu...) e vacinadas que é muito importante ter o cabelo bem arranjado, as unhas assim e assado, etc, etc...mas até aí, vá lá, o que está escrito está escrito, tenho é pena que ainda haja gente que precise de reuniões para aprender algo que é de tão senso comum como para acender uma lâmpada ser necessário carregar no interruptor.
Segundo tema, higiene...prefiro não falar do conteúdo da conversa, porque com este tema, a cólera já era vestigial, dando lugar a uma sensação nauseabunda que se instalou e permaneceu até ao fim da reunião.
Terceiro tema, a moral...cuidado, nada de andar a falar em corredores pouco iluminados com pessoal do sexo masculino, ou permanecer em plena luz do dia à conversa com a mesma pessoa (homem, é claro) repetidas vezes, porque decerto irão gerar-se comentários e possíveis rumores. Ora deixem cá ver, então, se eu não posso falar em corredores pouco iluminados nem em plena luz do dia, falo quando? Ou seja, amigos HOMENS é proibido...estamos exactamente onde? Talvez tenha entrado para um convento e não dei conta. É óbvio que estou a exagerar, nada nos foi proibido. O que eu acho, muito sinceramente, é que não é o facto de eu falar seja com quem for que me vai denegrir de maneira alguma, existe toda uma conduta pessoal que nos revelará enquanto pessoas, e isso sim está acima de comentários fúteis gerados em becos que duram pouco mais de meia dúzia de dias. E mesmo que esses comentários perdurem, vou viver o resto da minha vida influenciada por eles?
Bem, com isto tudo, acho que são as mulheres as principais causadoras da diferença que se cria em nosso redor. Eu não quero ser considerada como igual aos homens, não sou igual e nunca serei, isso é ridículo, mas também não quero ser tratada de maneira diferente, estamos num ambiente predominantemente masculino, é certo, mas há tantos anos que os homens lidam connosco, ainda sentem vergonha de dizer que estão menstruadas a um homem? É tão normal estar com dores menstruais como com dores de costas, faz parte da nossa condição física, agora as meninas se querem deixar de ser tratadas com desdém deixem de se queixar com ar lamechas, porque hoje em dia já existem analgésicos bastante eficazes.
Conquistámos o direito de executar as mesmas funções que os homens, a partir de agora o que é que acham que precisam de conquistar mais? Na minha opinião, o respeito, e isso não se conquista escondendo-nos do mundo, evitando sermos quem somos e muito menos continuarmos a agir como se fôssemos uns bichinhos indefesos para justificar os nossos pontos fracos. Enquanto continuarem a existir reuniões do "penso higiénico", nunca conseguiremos ser tratadas de maneira natural e ser vistas como mulheres que somos, ser mulher num ambiente masculino é conotado como um "defeito", e isso somos nós que temos vindo a fomentar com a nossa insistência em nos evidenciarmos. Somos o que somos e ponto final. Somos diferentes e isso não é bom nem mau, apenas um facto, se queremos viver num ambiente que continua a ser predominantemente masculino temos de ser as primeiras a aprender a lidar com as nossas diferenças, arranjar meios e estratégias para atingir os mesmos resultados sem para isso termos de recorrer as nossas diferenças para justificar seja o que for ou ganhar qualquer tipo de crédito em relação aos homens. Eu sou mulher, adoro a minha profissão, adoro os meus amigos, e não abdico de me relacionar com os meus colegas só porque isso é visto de modo deturpado, a minha consciência é o meu bem mais precioso, e é com isso que todas nós se devia preocupar.

Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Não era suposto...

Lágrimas percorrem meu rosto como se procurassem um caminho, o vazio que se instala nesta noite gélida rasga meu corpo...véus negros cobrem-me escondendo-me de me mim...já mal me reconheço no que digo, no que penso...no que quero, ou penso querer...abro os olhos depois de tanto soluçar, sozinha, aqui, agora, nesta noite...sei-te tão longe, porque não te consigo deixar? A solidão embala-me enquanto uma musicalidade entra pelas paredes, e vejo-te, ali, a dançar nelas, comigo...relembro momentos de ternura trocados a dois, segredos partilhados em tons de sussurro, um quebrar de esferas intocáveis...um sem fim de beijos roubados numa clandestinidade...vejo tudo isso, e sinto saudade...
...sempre te disse que não tinha medo de ficar sozinha...mas neste momento, sinto-me sozinha...e cheia de medo...
...ouço uma música "nossa" e a tristeza atira-me contra o chão, suplicando que esta dor passe cerro os punhos e enrolo os braços em meu corpo...suplico a um Deus que não me ouve o quanto te quero esquecer, o quanto preciso deixar-te partir...
...deambulando em leves passos, saio destas paredes...abro o chuveiro e deixo-me ficar ali, de olhos fechados, a ouvir a água tocar em meu corpo, na sólida esperança de deixar de pensar em ti...
...o frio da noite relembra-me teus braços quentes, e como era bom neles me aconchegar em noites como esta...ver-te adormecer num tom angelical era...simplesmente algo...
...abro um livro e deixo-me absorver por letras miúdas, apenas letras miúdas, não as consigo ler...deixo-me ficar ali apenas na tentativa de que elas me roubem deste estado doentio em que instalei minha alma...mais uma noite, mais um querer fugir, mais um algo que não consigo decifrar e me mantém neste estado sombrio...nunca me senti tão perdida!
Dei-te o meu eu...e fiquei sem nada...sonhos destruídos por palavras, um gesto, uma cobardia...
...não era suposto amar-te, não era suposto viver a minha vida desejando que dela fizesses parte...
Acendo mais um cigarro, o cansaço denuncia-me, e num último acto desta peça vejo um pedaço de papel transformar-se em cinza...é desconcertante ver como tudo arde tão rápido, termina tão cedo, sem se conseguir dizer adeus...

Sábado, 2 de Janeiro de 2010

Até ao fim

Sabes quantas vezes me lembro de ti? Hmmm...demasiadas para quem não deve...para quem não pode...my sweet liberty...
...sinto-me tentada a sonhar acordada com um amanhã que tarda em chegar, repudiando o agora que teima em ser doloroso...busco uma fórmula para quebrar este feitiço, será da cúpula que me rodeia? Ou serei eu que não me permito à liberdade? Quem me roubou de mim, tu...ou eu? Fui eu que te escolhi, porque será tão doloroso viver-te?
...queria conseguir gostar-te, seriam muito mais agradáveis os dias que em ti percorro...mas meus dias são tão agonizantes com os obstáculos que atravessas em meu caminho...começo a ter saudades da minha monotonia, aquela de que tantas vezes já blasfemei...
...o cheiro a mentira está entranhado em tuas paredes, o medo invade-me sempre que por elas passo, finjo não ver o que me tentas fazer ansiando dia após dia de ti me libertar...foste escolha consciente na inconsciência do que me ia acontecer, do que me ias fazer...em ti encontrei um inferno chamado escola, o que tens para me ensinar? Um mundo de mentiras e fantasias sobre uma realidade que eu já conheço, porque me tentas enganar? Porque tentas corromper-me com tuas verdades feitas sem sustento? Olho pela janela e vejo-te vazia, fria...és nada, tens apenas valor simbólico para quem te deseja, como eu já te desejei...tens em ti uma marca de sonho...
...poderia dizer que a culpa é minha por te ter desejado, mas não o irei fazer, estaria a dar-te o prazer da vitória...resta-me apenas viver-te, dia após dia, continuando a desejar o amanha como consequência da minha liberdade, aquela que deixei para trás quando te escolhi...em ti reconheço que ambicionei demais, em ti pensei encontrar o caminho para a minha felicidade, mas olho em frente e vejo que...és e serás trevas em meus passos...tenho pena de quem em ti navega ao sabor da ilusão...
...não me conheces, nem queres conhecer, sou apenas mais um dos teus objectos de colecção com que brincas sem qualquer remorso...olhas-me e não me vês, sou pouco mais que um número na tua estatística...
...não te quero, mas em ti irei permanecer...
...até ao fim...