Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Pecado, ou simplesmente amor!

Hoje dei por mim a recordar um dos momentos mais devastadores na minha vida, o dia em que conheci a pessoa que mais me fez duvidar de todos os conceitos pré-concebidos no meu imaginário do que seria a pessoa ideal para mim. Até então achara que o homem ideal seria meigo, delicado, humilde, paciente, generoso, fiel…e que seria impossível apaixonar-me pelo oposto de tudo isto, não fazia qualquer sentido no meu consciente que um homem que não possuísse todos estes requintes seria algum dia o dono de meus sentimentos, de meu coração, da minha dedicação. Diria até que cheguei a discutir em conversas abertas com amigas e amigos que não toleraria no meu parceiro todas aquelas “atrocidades” emocionais pelos seus parceiros praticadas, era para mim ridículo que o amor fosse aquilo que durante tanto tempo eu ouvia os meus amigos comentarem, era estranho ver o quanto o amor lhes “doía” para atingir um pouco de uma qualquer felicidade por eles descrita, nem eu conseguia muito bem acreditar de que felicidade estariam eles a falar. No fundo, era tudo estranho para mim, critiquei, repudiei, cheguei até a tecer comentários cruéis durante aquelas conversas. Até que deixei simplesmente de comentar, e já só me ria, comecei a sentir, então, uma espécie de divertimento pelo ridículo a que assistia constantemente, não que eu me divertisse com a desgraça alheia, nada disso, mas quando uma amiga se chegava perto de mim de olhos esbugalhados e nariz fanhoso porque o namorado tinha preferido sair com os amigos e a havia deixado “pendurada”, perguntava a mim mesma: “Oh meu Deus, como é que é possível esta rapariga ter tão fraca auto-estima?” Sim, porque para ela estar naquele estado deplorável é porque algo estava errado, o mundo não acaba só porque numa noite o namorado não esteve ao lado dela!
Arrependi-me amargamente de todos aqueles pensamentos, de tantas criticas e gargalhadas, achava que era a dona da razão no que dizia respeito ao amor, e nem sabia ainda o que ele iria significar na minha vida!
Éramos apenas bons amigos, aliás, ele era o meu melhor amigo, digamos que sem ele eu não conseguia ter a ousadia de tomar qualquer decisão importante na minha vida.
Tudo começou com uma brincadeira, uma troca de olhares indiscretos no meio do nosso local de trabalho, um partilhar de gargalhadas advindas de uma ou outra situação só por nós entendida, éramos como um só, entendíamo-nos no topo da escala da perfeição. E no meio de tanta perfeição que víamos em nosso redor, aconteceu o que menos esperávamos, o desejo bateu-nos à porta, éramos homem e mulher, ambos sem compromissos declarados, apenas bons aventureiros ao sabor das emoções que nos apareciam no momento. Sem muito pensar, deixámos que nossos corpos remassem na maré do desejo. Era tudo um pecado aos meus olhos, um pecado demasiado aprazível aos meus sentidos, mas ainda assim, um pecado, ele era algo proibido no meu mundo, era impossível estar a apaixonar-me pelo meu melhor amigo, era simplesmente algo proibido. Contudo, não teci qualquer tipo de renúncia sobre tal pecado!
Após tantos momentos de desejo saciado, começaram a aparecer outros momentos, os de angústia profunda, uma amizade demasiado perfeita havia sofrido diversas metamorfoses, primeiro passara a desejo, mais tarde a paixão, amor, e por fim, a ódio! Ele era um dos homens mais desejados no nosso meio, bonito, elegante, era detentor de uma postura cativante, um olhar sedutor e um sorriso esmagador!
Um dia interroguei-o ferozmente sobre as suas atitudes, tinha-se tornado frio, arrogante, assentimental. Cada vez me sentia mais encurralada em dúvidas e angústias, mas mesmo assim, não abdicava de nós.
Não há maior pecado do que deixarmo-nos sofrer por um amor não correspondido, deixarmo-nos anular em prol de uma crença de possível felicidade! Tornei-me observadora passiva do desmoronar da nossa relação.
Quando dei por mim, vi-me só, sem amor, sem amizade, apenas num vazio avassalador!
Cometi tantos pecados no decorrer deste período, e um deles foi ter-me enganado a mim mesma. Tinha perdido a noção da realidade, deixei-me levar pela tristeza e revia-me nos olhares perdidos dos meus amigos, nas palavras amargas que proferiam e que eu tanto humilhei. Sem dúvida, foi uma das minhas maiores lições de vida, apenas o desejo só não chega para sustentar uma relação, e acredito vivamente que se não fosse ele a abandonar-me, ainda hoje estaria a viver o mesmo papel, pois nada me levava a deixá-lo, ele era a minha crença viva de uma pseudo-felicidade.
História fictícia produzida para a Fábrica de Histórias

Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

Longe de tudo

Longe de tudo e de todos, foste doce volúpia avistada numa noite que nada me prometia a não ser confusão…e que confusão! Escrevo para te alcançar, já que não te vejo nem sinto…já que não te posso ter neste momento…momentos são pouco mais do que meras metamorfoses do que pensávamos querer, do que ousámos imaginar! Poderíamos condenar aquele simples café a isso mesmo, um simples café. Ambos sabemos que o resultado desse momento ultrapassou o que pensáramos ser lógico. Um simples café que transformou o cinzento de meus dias em doces passeios pelo meu imaginário colorido.
Se nada mais me resta a não ser um simples telemóvel, que faria eu sem ele? Como iria eu suportar o regresso de um cinzento que levaste com a doçura de teu sorriso e a beleza de um olhar terno e suave?
Em dúvida constante persigo apenas a vontade!
Falas em passado, mas o passado é isso mesmo, passado! Se há algo que o passado nos dá é o presente, e neste momento, o presente és tu, um presente dependente de um aparelhozinho irritante que nunca dá sinal quando eu quero, mas, é este presente que me faz suspirar, não o passado.
Não condenes um presente que ainda nem se revelou um futuro, vive o gosto e o prazer de um querer, pois pouco mais nos resta no agora! E se o amanha for um talvez, então que venha o sabor da imaginação abraçar-nos em mais uma noite ausente de ti, de mim, de nós…
Nada nos é exigido, não temos prazos, limites ou obrigações, partilhemos, então, apenas o sabor de tão requintadas palavras que ecoam em tons harmónicos e flutuantes num cenário por nós idolatrado!
Apenas peço a este meu aparelhozinho chamado telemóvel não me falhe, sem ele, quem te trará até mim? Jogos de sedução e palavras inócuas de maldade regem nossos dias, e quão saborosos se tornaram meus dias…devo admitir que meus olhos mal aguentam de felicidade ao avistarem tua imagem, mas tuas palavras são o que de mais belo os meus olhos se confortam.
…se me roubassem o pouco que tenho para chegar até ti, não sei que faria!

Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Dia de São Nunca

Em dia de São Nunca á tarde, eis que é chegado o momento mais desejado de toda uma semana rica de peripécias e momentos de gigantes tensões…a sexta-feira. Com uma sensação de regozijo pessoal por mais um exame bem sucedido (quero eu acreditar), arrumo as malas em movimentos sôfregos de quem anseia sair das catacumbas…e lá vou eu…o meu 1º momento de paz interior, ligar o rádio do carro…não importa qual a estação, se é música ou noticia, debate ou um qualquer programa de tertúlia, aquele pequeno prazer faz-me transportar para o mundo exterior do qual eu sinto tanta saudade, invadindo-me de paz interior! Nunca tal coisa me havia feito tão feliz como nestes últimos meses…
Sigo em direcção à Ericeira, local onde se dão lugar as minhas explicações de álgebra linear, e, quase já em gesto de ritual, escolho o mesmo estabelecimento para tomar o meu café antes de seguir rumo para mais uma explicação. Sento-me na esplanada, já que o sol me convidou e peço o mesmo de sempre. Ainda deliciada com os raios de sol a tocarem em meu rosto abro os olhos e reparo em gente a olhar-me de soslaio, quase em tom de desconfiança…respondo-lhes com o meu olhar simpático: “Não, não sou policia…”. Incrível a facilidade com que me confundem com um agente da PSP, ou até com um bombeiro, enfim, por vezes até chega a ter graça.
Mas a verdade verdadinha é que a minha escolha para tomar café naquele local não é nem pela esplanada, nem mesmo o mar que me traz uma melodia de paz e tranquilidade, mas sim o rapaz lindíssimo que me serve…alto, louro, olho azul…lindo…poderia continuar a descreve-lo, mas posso resumir, digamos que a sua imagem se assemelha a algo parecido com o Brad Pitt dos pasteis de nata…simpático e bastante prestativo, raramente demora mais de 30 segundos até se deslocar em minha direcção. Bem, mas no meio de todo este ambiente em tons florais por mim imaginado, existe um pequeno senão neste quadro delicioso, um anel grotesco aos meus olhos que me chama a atenção para um sinal de compromisso…enfim…nem tudo poderia ser perfeito neste pequeno momento simplesmente adorável, e visto que eu nem coragem tenho para lhe perguntar o nome, acho que o facto de eu apenas o observar não provoca um mal assim tão grande ao mundo! Sra. Dona desse compromisso, fique descansada, porque eu jamais iria contra os meus princípios, muito menos seria capaz de faltar ao respeito para com o vosso compromisso.
Gostaria, por vezes, de congelar estes momentos, e de tão prazerosos que são tenho alguma dificuldade em interrompe-los!
Em sensação de São Nunca, relembro o quanto eu adoraria que esta correria entre noites perdidas, papeis já gastos de tanto os ler e reler, fins-de-semana que terminam num piscar de olhos, e começo a sentir a velha e enfadonha sensação de que tudo isto parece nunca mais ter fim, a minha busca pelo tão desejado sossego está longe de chegar…e ali fico eu, a sonhar pelo dia de São Nunca!
Acordada por um som estridente de uma chávena a cair, olho em redor e dedico-me em satisfazer-me de novo com aquele momento precioso da minha tão ansiada sexta-feira, deixo que o sol dê alguma cor a esta pele pálida e a transpirar cansaço.
Arrumo os cadernos que finjo estudar e pago a conta, e, depois de um sorriso simpático de ambas as partes, abandono aquela esplanada com a felicidade de ter conseguido interromper por breves momentos aquela sensação de São Nunca!