Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Insanidade

Ouço o assobiar da noite enquanto me delicio com o silêncio da escuridão. Uma leve brisa percorre meu corpo acusando a fraqueza de uma pele nua. As pálpebras deslizam lentamente num gesto sinuoso de tranquilidade instalada…procuro teu cheiro entre os odores que me inundam nesta noite. Percorro minhas mãos no chão que alberga este meu corpo cansado…ao sentir cada grão de areia passar entre meus dedos revejo-te em cada queda, cada perda, cada deslizar!
Não sei se algum dia vou descobrir se poderia ser diferente…fazes-me falta.
Mata esta sede que nunca chegaste a saciar…
Devaneios vão surgindo no meio deste silêncio já quase ensurdecedor…
Em movimentos taciturnos debruço-me sobre mim, respiro fundo e pergunto-me se será insanidade…vejo o cenário que me rodeia balbuciar-se impedindo-me de observar o que dizem ser óbvio…não me resta muito mais senão sentir-te deslizar por meus dedos, sente este corpo ainda ávido de ti…
…acordo e o amanhã não será igual ao hoje, nem parecido com o ontem…mas sim a continuação de uma interrogação que ganha vida em metáforas e palavras vindas de um vácuo construído para abafar o ruído da verdade que todos teimamos em não querer ouvir! Renegar o óbvio em virtude de uma qualquer estabilidade, ou virar costas ao que nos persegue na ânsia de olhar sobre o ombro e não voltar a ver a sombra que nos acompanha, são meras cobardias num mundo mordaz!
Enfrentar é querer, temer é estar vivo!