Terça-feira, 21 de Setembro de 2010

O dia em que te direi Amo-te II

Assim que vejo seu sorriso entrar no meu gabinete pondero de imediato a hipótese de que me venha contar outra história, mais uma das que não quero ouvir!
- Meu querido Alberto, venho informar-te que podes começar a fazer as malas, nous allons à Paris!
- Espera, eu vou já ligar para a radiologia, só podes ter batido com a cabeça.
Matilde solta uma gargalhada e senta-se pousando os cotovelos na secretária meticulosamente organizada.
- Nada disso, o nosso querido director quer que representemos a clínica num congresso que vai ter lugar em Paris, este fim-de-semana.
- Ena, quem diria...eu e tu, em Paris, na cidade do amor…
- Em trabalho Alberto, em trabalho!

Eu sabia que era meramente profissional a nossa ida a Paris, mas ainda assim não pude deixar de sentir o tamborilar dos meus dedos na mesa de tanto nervosismo, não conseguia controlar aquela ansiedade, afinal, pela primeira vez eu e Matilde, sós, num hotel, em Paris. Tudo parecia demasiado surreal!

- Preparaste algumas perguntas sobre o resumo que te dei?
- Minha cara colega, já me deverias conhecer o suficiente para nem ousares fazer tal pergunta.
- Peço desculpa, caro colega.
Este vício que Matilde tinha de entrelaçar seu braço no meu desconcertava-me, nunca sabia o que fazer, mal ela se aproximava entrava em estado de transe, aquele perfume a flutuar em redor de sua pele pálida, era o convite perfeito para um beijo sonhado durante toda a minha vida!

Depois de fazermos check in no hotel apressámo-nos por encontrar um bom restaurante, mal eu sonhava no que viria a revelar-se aquela noite!
- Nous voulons un vin de cépage Cabernet-sauvignon!
- Além de dominares o francês, também percebes de vinhos, estou surpreendido.
- Já dizia Mário Quintana, “Por mais raro que seja, ou mais antigo, só um vinho é deveras excelente: Aquele que tu bebes, docemente, com teu mais velho e silencioso amigo.”
- É isso que serei sempre para ti, um velho e silencioso amigo?
O ar tornara-se quase rarefeito naquele instante, Alberto sentiu o coração latejar a uma velocidade estonteante, queria voltar atrás. A garrafa já ia a meio, Matilde fazia o vinho dançar dentro do copo, aquele momento de silêncio estava a matar Alberto! Matilde sabia o quanto Alberto desejara aquele momento.
- Porque anseias tanto amar?
Alberto pigarreou alguns sons sem obter o sucesso de uma resposta.
- Todos os dias vejo nos teus olhos o que tanto de consome por dentro, finjo não te ler os pensamentos. É o melhor para ti Alberto.
- Quer dizer que…tu sabes…o que sinto por ti?
- Sei! E tenho-te poupado a essa revelação por gostar tanto de ti.
- Não percebo.
- Amar não é saudável Alberto, amar é uma auto-anulação de nós mesmos, acreditamos que aquela pessoa merece tudo de nós, sacrifícios, constrangimentos…amar-me não vai fazer de ti um homem mais feliz. És um médico bem sucedido, tens imensas mulheres que dariam tudo para estar contigo, e ainda assim levas uma vida de exclusão porque acreditas numa ideia utópica de amor. Quantas pessoas não perdem tudo por uma história de amor? Se amar fosse tão bom, não achas que deixariam de haver tantas histórias de tragédia romântica?
- Então achas que o estilo de vida que tu levas é o ideal?
Alberto recostou-se na cadeira, quase intimidado pelo repentino olhar soturno lançado por Matilde.
- Alguma vez te tracei um ideal de vida?
Matilde terminou o vinho de uma única golpada.
- Amar só me trouxe angustia…
- Não sabia que já te tinhas apaixonado.
- Nunca to contei, como poderias saber? Nada sabes de mim, ousas pensar que me conheces no que me vês transparecer
- Não preciso conhecer o teu passado para te conhecer a ti! Não vou postular nenhuma definição de amor, ou de como deverias viver a tua vida, mas nada podes fazer para me impedir de te amar, não fui eu que o escolhi, foste tu que me escolheste com essa magia que emana de teu corpo, com o que escondes por trás dessa pele gasta de inverdades.
- Vamos embora, acho que nada mais há a dizer.

Esperando silenciosamente que o elevador terminasse o seu percurso, Alberto formulava mil e uma tentativas de desculpa.
- Matilde, nada do que foi dito esta noite vai alterar…
E de súbito Matilde rasga o seu raciocínio com a avidez de um beijo.
Alberto queria eternizar aquele momento, encostando seu corpo ao de Matilde, fita seu rosto com o olhar, a sua pele quase se confundia no branco dos lençóis que emolduravam seus corpos. Matilde fecha os olhos e uma lágrima derrama sobre o rosto.
- Também te amo!

Alberto acorda, movido pela claridade que inundava o quarto. Nem sombra de Matilde, assustado pelo seu desaparecimento percorre com o olhar o quarto, em busca de um sinal de que ainda pudesse estar presente. Mas apenas encontrou um bilhete no lugar que outrora albergava seu corpo: - Não te atrases, 10 horas na sala de conferências!

Ali estava ela, vasculhando uma série de rascunhos. Será que os seus olhos o atraiçoavam ou Matilde estava particularmente bonita?
- Estás linda.
Alberto aproximou-se do rosto de Matilde para lhe dar um terno beijo, mas em vez de seus lábios sentiu o deslizar do vento causado pelo abrupto desviar de Matilde.
- Senta-te e começa organizar as tuas questões, o primeiro orador vem falar de um estudo efectuado sobre…
- Que se passa Matilde?
- Não te iludas com o que aconteceu a noite passada, bebemos demais, e dissemos demais!
Os olhos de Alberto cerraram-se tentando conter o desalento.
- Estavas a falar de um estudo sobre…?
Texto produzido para a fábrica de histórias

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

O dia em que te direi Amo-te

Reparei nela assim que entrou na sala de espera. Foi o som que primeiro me chamou a atenção, o estalar ritmado e seguro de saltos altos na cerâmica que cobria o chão. Ainda hoje, quando penso nisso, não consigo perceber como a ouvi chegar.

Matilde possuía a invulgar capacidade de fazer virar o rosto de qualquer homem por onde quer que passasse, cabelo de tom achocolatado cobria-lhe os ombros, franzina e de aspecto atlético, olhos de um verde lago que contrastavam em perfeita harmonia com a sua pele pálida. Era notória a sua satisfação por saber o efeito que produzia nas pessoas, inclusive mulheres.
Misteriosa e sem muito falar da sua vida, Matilde gostava de manter no seu local de trabalho um certo low profile, nunca ninguém ouvira falar de algum namorado seu. Matilde mantinha um excelente ambiente laboral com seus colegas, embora nunca deixando levantar uma ponta que fosse do seu véu invisível. Era preferível que assim fosse, pois dificilmente viriam com naturalidade a veemência com que vivia a sua vida. Ela considerava que fora das portas do seu consultório, poderia ser a Matilde, a Laura, a Susana…podia ser quem quisesse, e não somente a Dr.ª Matilde.

Eu era a única pessoa que conhecia o seu grande segredo oculto, incapaz de lhe admitir os ciúmes que sentia sempre que vinha para o meu gabinete contar mais uma de suas façanhas da noite anterior. Éramos amigos, parceiros de inconfidências, trabalhávamos juntos desde sempre, mas Matilde nunca me lançou outro olhar que não fosse de carinho, um carinho de irmão, talvez!
Imaginar-se a si própria numa relação rotineira em que o namorado a ia buscar ao trabalho, leva-la a casa, volta em quando irem jantar fora e para desanuviar ir ao cinema, era de todo algo que Matilde renegava. Além de não se imaginar nesse género de cenário, Matilde adorava a efervescência das suas noites!

Deitada no seu sofá, idolatrava o aconchego do lar e a liberdade de não ter de dar satisfações a ninguém. Mas, esse sossego era apenas momentâneo, logo cessaria o silêncio acutilante que pairava no ar inócuo de sua casa para dar lugar ao som estridente de uma mensagem no seu telemóvel.
– Estás ocupada esta noite?
Matilde sorriu sozinha, e limitou-se a deixar o suspense invadir a atmosfera. Ela sabia que saber fazer alguém esperar era não só uma arte como o condimento fundamental nesse género de “jogos”.
Matilde nada tinha para fazer, era óbvio, mas era mesmo necessário comunica-lo? Mordiscando o lábio inferior e semicerrando os olhos Matilde decide ser matreira.
- Estou muito ocupada, mas posso tentar despachar-me por volta das 21:30, dá para ti? Vamos beber um copo, que tal?

Matilde arranjara-se demoradamente, com verdadeiro hedonismo.
Tiago remexia o café já frio com a colher, mas esperava, oh se esperava! De cabelo acobreado a tocar no lóbulo da orelha, pele torrada do sol e a típica indumentária de um desportista, o sapato de vela dava-lhe um toque ligeiramente mais “clássico”. Ao chegar perto de Tiago, apressara o passo em sua direcção, estava atrasada meia hora, mais um dos truques que utilizava com extremo regozijo, e com um ar esbaforido diz:
- Desculpa, tentei ao máximo despachar-me, mas estava complicado!
Ao pedir desculpas, Matilde franziu a sobrancelha denotando um ar piedoso como quem pede perdão de algo terrível. Aquele ar doce pedindo clemência valera-lhe toda a atenção de Tiago que logo se aprontara em chamar o barman para lhe trazer uma bebida.
Conversa puxa conversa, se havia algo de que Matilde se orgulhava era de conseguir manter sempre um diálogo estimulante, divertido e interessante! Como era óbvio, a noite terminara como já vinha sendo habitual, um trocar de gargalhadas demasiado cúmplice com o posterior romper da porta do quarto de Tiago que mal aguentava de entusiasmo por envolver Matilde em seus braços.
Matilde nunca prometia amor eterno, era incapaz de dizer a alguém “amo-te”, repetia sempre a mesma conversa:
- Adoro estar contigo, é maravilhoso mantermos uma relação tão aberta, sem exigências, sem qualquer tipo de sentimento de obrigação, encontramo-nos quando podemos e estamos bem assim não estamos?
- Se preferes assim, eu estou bem assim Matilde. Sabes que me corta o coração cada vez que te vejo sair por aquela porta, nunca sei qual será o dia que te voltarei a ver. Mas se preferes…
Matilde sentia o cerco apertar cada vez que a resposta à sua pergunta suava relutante. Enfim, estava na hora de terminar, não naquele momento, talvez deixar que o tempo os afastasse seria a melhor solução!

Matilde não partilhava as suas noites de paixão com um só homem! Esse era o terrível dos segredos. Matilde mantinha contacto com pelo menos cinco homens diferentes, tudo dependia se acabava com alguém, ou conhecia outro, ela não procurava aventuras, elas acabavam sempre por lhe aparecer em qualquer instante. Sempre que se cruzava com algum dos seus “casos”, tinha sempre a desculpa ideal, sorria incandescentemente, acenava em gestos sôfregos até obter a sua atenção e dizia:
- Como estás? Olha, este é um amigo meu, o Diogo, Diogo, este é o Rui…
Uma conversa informal tomaria lugar por uns 5 minutos e Matilde despacha-se daquela situação embaraçosa com delicada mestria. Matilde nunca permitia que manifestações de carinho ocorressem em público, não eram permitidos beijos, abraços, mãos dadas, era por isso extremamente fácil fazer passar a imagem de um encontro casual com um grande amigo.

Matilde trazia dois cafés ainda a expulsar calor através da nuvem que condensava no ar devido ao frio cortante.
- Estás com um sorriso deslumbrante! Olha, preciso falar contigo…
Entrelaçando o braço no de Alberto diz:
- Nem imaginas a loucura que foi a noite passada, ele era…
- Matilde, preciso mesmo falar contigo…
- Ele é a personificação de Adônis
Entre um suspiro e uma quebra abrupta no raciocínio de Alberto, ele achara que talvez pudesse esperar para o dia seguinte uma conversa que já vinha sendo adiada a anos!
- Então, vá, conta-me lá onde conheceste esse Adônis!
História produzida para a fábrica de histórias

Sábado, 11 de Setembro de 2010

Get a Life

Bem seja lá quem for que se entretem a colocar "setinhas" em todos os meus posts na opinião "estúpido", se realmente não gosta do que escrevo, atreva-se a comentar, porque se for simplesmente uma birrinha de quem não tem mais nada que fazer, bom, eu até volto a colocar essa opção no meu blog, não quero estragar o prazer a ninguém...

Viva a sua vida, já que é incapaz de partilhar seja o que for com outros!

Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Apenas uma canção

A noite vinha fria,
negras sombras a rondavam...
Era meia-noite
e o meu amor tardava...

Ai, eu não sei onde ele está,
se à nossa casa voltará,
foi esse o nosso compromisso!
E, acaso nos tocar o azar,
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino!


Sentada ao volante do meu carro ouço os Deolinda, uma música dedicada ao nosso amor clandestino, uma música que me trazia alguma segurança, alguma credulidade em todo o esforço que tínhamos por um possível “nós”.
Esperava noite após noite, no meu carro, por uma mensagem de Miguel. - Podes subir, já não vejo movimento algum no prédio.
Escondêramos nossa relação devido a preconceitos, a valores sociais impostos que tendem a confinar-nos! Teria de ser assim, não havia outra forma de nos entregarmos um ao outro senão longe de olhares alheios.
Ter a oportunidade de poder passar aquelas horas, por mais efémeras que fossem, em seu regaço era mais do que eu algum dia pedira, ele era perfeito em toda a sua imperfeição, e eu era feliz, sem complicações, sem exigências, sem convencionalismos.
Cautelosa e espreitando em todas as direcções, observo o silêncio da rua e anseio para que ninguém note minha presença ao entrar no prédio. Mal a porta do seu quarto se fechava atrás de mim, difundia-se no ar um desabafo de alívio e sentia o coração acelerado como se tivesse corrido a maratona! Um beijo terno e caloroso afagava meus lábios, e um sorriso de cumplicidade quebrava o constrangimento instantes antes vivido.
- Sabes, adoro amar-te entre estas quatro paredes, aqui és meu e eu tua!
- Não percebo porque continuas a acreditar que a melhor solução é ficares presa a um homem que não te trata bem. Porquê, explica-me, porquê? Tu não o amas, és infeliz, ele não te merece, não há dia nenhum que chegues sem uma marca no corpo quando estás com ele!
- Sabes que tenho medo dele, por favor, temos mesmo que falar disto agora? Estou contigo não estou? O agora é que importa!
- Se não o deixas por mim, deixa-o por ti, um dia ele ainda acaba com a tua vida!

Filipe nem sempre fora um homem violento, quando o conheci ele transpirava ternura, era alegre, sempre disposto a fazer-me sentir a mulher mais bela. Vivemos momentos autênticos, fizemos planos de uma vida a dois, tudo corria bem até ao dia em que se soltou o primeiro sinal de violência.
- Com qual amiga dizes tu que saíste?
- Com a Ana, sabes bem que fui com a Ana, mas porque perguntas querido?
Plaff…
Incrédula e ainda sem saber o que realmente tinha acabo de acontecer, julguei estar a sonhar, era impossível, Filipe bateu-me!
- Mentirosa, és uma mentirosa. Plaff, plaff!
Minha mão titubeava colada ao meu rosto, o cabelo esparso em minhas faces, embebido em lágrimas e soluços compulsivos. - Podes ligar á Ana, é a verdade Filipe!
- Não vale a pena, ela só vai confirmar para proteger a amiguinha!
Era mesmo verdade, eu havia saído para tomar um café com a Ana, e foi esse o primeiro dia de um inferno castrador!
Miguel sabia perfeitamente a vida que eu levava ao lado de Filipe, mas que poderia ele fazer além de afagar meu rosto limpando as lágrimas de uma dor que em nada era física? Miguel trabalhava comigo há já alguns meses, ele era meu amigo, confidente, companheiro…o que existia entre nós era nada mais que uma bela amizade, até ao dia em fui a sua casa beber um simples café!
Senti o seu pé travar a porta quando me preparava para sair, olhei para ele com uma expressão inquiridora: - Sei que poderá parecer cliché, mas ainda não te mostrei a decoração do meu quarto pois não?
Uma gargalhada tomou lugar durante alguns segundos. – Vá, então mostra-me lá o teu quarto!
As paredes ostentavam um tom lúgubre, a mobília possuía uma linha moderna em madeira escura, sem grandes manifestações de luxúria, era um quarto simples, com uma cama, armários e pouco mais.
Quando dei por mim seus braços envolviam meu corpo, um abraço forte aproximou nossos corpos, senti o ar quente da nossa respiração, um misto de timidez com sentimento de reprovação levavam-me a desviar o olhar.
- Sei que não é justo para ti, mas…disse Miguel.
E sem saber como fugir, suas mãos levaram meu rosto de encontro ao seu, um toque doce e suave de nossos lábios anulou por completo o que eu pensara ser errado, tive prazer em sentir prazer, sem culpa nem vontade de fugir, ali fiquei, a saborear aquele momento.
Ao colocar a chave na ignição, encostei-me no banco, pousei minhas mãos sobre meus lábios e disse para mim: - Meu Deus, o que foi que eu fiz?

No silêncio de uma clandestinidade, eu e Miguel continuámos nossos encontros, cada vez mais difíceis de esconder, cada vez mais escassos para não atrair atenções!
Ligo o rádio do carro e coloco a nossa música, ao ouvir Deolinda um sorriso formou-se em meus lábios, eram momentos efémeros, mas com um sabor a liberdade, uma liberdade que deixei de ter ao lado de Filipe. Sigo rumo a casa, sabia que Filipe esperava por mim. Cantarolando e exalando toda a minha felicidade naquele acto, faço pisca para virar a esquina, ao travar dou conta de que o carro não obedecera aos meus comandos, o sorriso desvanecera-se por completo, tentei travar de novo, e de novo, mais uma vez, e outra. Perdi o controlo…
Abro os olhos e vejo imensas luzes, tentei perceber onde estava, tubos e adesivos colados aos meus braços…mas, mas o que era tudo aquilo?
- Meu amor, eu estou aqui, vou tomar conta de ti.
Era Filipe, ao pronunciar estas palavras denotei um sorriso tão cínico que não podendo falar por estar mergulhada em tubos, ruborizei de raiva, chorei, mas Filipe fingiu não notar, continuando a agarrar minha mão sorriu de novo:
- Xxx…Calma, vai correr tudo bem meu amor.
História produzia para a fábrica de histórias