
(Imagem da Web)
Após atribuladas aventuras, impregnadas de uma gigantesca carga emocional, ali se encontram, três amigas com muito e, ao mesmo tempo, nada em comum! Três mulheres crescidas e educadas em contextos sociais, familiares e até religiosos, completamente díspares, mas com uma situação comum a todas, o verão que não chegaram a sentir.
Bem, vou tentar enquadrar o que acabo de dizer.
Era uma vez, um grupo de três amigas, vindas de lado nenhum, com um sonho comum, serem as melhores na conquista de um objectivo quase raro de alcançar. Imaginem que anseiam tanto conquistar o lugar num pódio que sabem a partida que só os melhores dos melhores conseguem atingir, não é bem a semelhança com um Óscar, antes sim com o que se sonhara ser o melhor emprego do mundo, não por ser altamente remunerado, nem pelo seu pseudo-estatuto social, mas sim pela néscia credulidade de que não se imaginariam a vestir outra camisola que não fosse aquela.
Três mulheres, tão diferentes que ousaram sonhar serem capazes de alcançar esse sonho. O problema começa com a falta de aviso prévio sobre o alto preço a pagar por se lutar tanto por esse sonho!
Enfim, ainda assim, o preço parecia algo de que estariam dispostas, o sofrimento de meses era algo justificável, se assim teria de ser, então que se arregacem as mangas e sem olhar para trás, estas três mulheres abdicaram de “viver” durante nove meses, sonhando com o dia da recompensa.
Eis senão quando, no momento da devida recompensa, alguém de muito mau gosto esfrega as mãos e diz que tudo o que andaram a fazer durante nove meses não chega, aliás, fora muito pouco ou quase nada, e sem tempo para um pestanejar, estas três mulheres de bocas entreabertas caem de rabo no chão e desistem de pensar! Pensar em quê? Fora-lhes roubada a alegria, a vontade, a liberdade! Não conseguiam imaginar como, onde e quando se poderiam ter esforçado mais.
Ora, feitas as contas, quando uma pessoa neste tipo de busca incessante dorme pouco mais de cinco horas por noite, o que alguns chamam de fim de semana, estas três mulheres chamavam de miragem, e até para se respirar mais ofegantemente após o cansaço físico era calculado o tempo despendido…bom, onde é que estas mulheres se poderiam ter esforçado mais?
BAJULAÇÃO!!! Eureka, era isso que faltava. Bolas! Como foram deixar escapar algo desse género? Já lhes tinha sido ensinado a algum tempo atrás o significado do termo, mas nunca levaram o assunto muito a sério, aliás, falara-se tanto sobre o assunto que era algo demasiado banal, tão banal que não acharam ser assim tão importante! Toma lá que é para aprenderes, quando se ensina alguma coisa num instituto de carácter superior é para ser levado a sério!
Bom, feitas as contas, alguém achou por bem mantê-las a lutar mais um pouquinho, mas já não havia volta a dar, teriam de lutar sem a Bajulação, como nunca haviam lidado com o conceito, não sentiram que lhes fosse fazer assim tanta falta!
Eram mulheres de coragem, voltaram a arregaçar as mangas, e dispostas a pagar um novo preço, fizeram cálculos mentais e decidiram arriscar, afinal, o que poderiam perder mais após tantos sacrifícios? O Verão!
Ali estavam, três mulheres a quem era dito dia após dia que não iriam conseguir, que era um erro a sua permanência, que não se esforçaram e continuavam a não se esforçar! Conseguem imaginar o ar estupefacto de uma criança de três anos quando lhes dizemos que não podem comer chocolate, quando se tem uma tablete gigantesca a tatuar-nos os cantos da boca? Assim, pareciam estas três mulheres, a observarem a crueldade tatuada na boca de toda a gente, que nem sequer as conheciam, não as acompanharam! Eram apenas artigos de cenário que iam entrando numa peça gravada. Gravada por alguém com um sentido de maldade bastante refinado!
Crueldade vs Esforço
Ding, ding, ding, ding, ding…
“E agora, senhoras e senhores, caros espectadores, após meses de tortura, conseguimos eliminar dois dos elementos que mantivemos sob cárcere durante um verão inteiro!”
Foi assim que soou aos ouvidos de duas das amigas a notícia de que todo o seu esforço tinha sido em vão, e que nada nem ninguém acreditara nelas! Seriam eliminadas!
As lágrimas eram inevitáveis, o desalento dominava os movimentos deambulantes destas duas mulheres que se viam na eminência de uma vida sem emprego, com um ano de vida desperdiçado entre um par de muralhas lúgubres, mas se havia algo que tinham ganho com todo o seu esforço, era a capacidade de reagir! Das três, duas teriam que se desenvencilhar, teriam de reunir o resto das suas sobrantes forças para contrariarem o que parecia ser uma decisão definitiva!
E quando se pensava que ninguém acreditaria nelas e nas injustiças de que tinham sido alvo, dirigiram-se em passos trémulos ao chefe máximo, nada tinham a perder, mas necessitavam de esclarecer toda aquela situação, era uma questão de honra!
Um verão de descanso fora-lhes roubado, e com ele a alegria! A verdade fora reposta, embora certas marcas não possam ser apagadas da memória!
Contudo, desistir é a assinatura dos cobardes!
História fictícia produzida para a fábrica de histórias