Este desafio não foi nada fácil, já havia escrito outrora sobre traição e tive muito cuidado para não incorrer em repetições. Espero que gostem, e que não se revejam nesta história tão triste, mas infelizmente demasiado comum!
(Imagem da Web)
Pedro delirava com ínfima possibilidade de Ana o trair. Vivia atormentado – obcecado! Pedro era enfermeiro por mero acaso, mas agradecia a Deus todos os dias pelo acaso que o fez tropeçar em Ana. Ana definhava numa dor acutilante quando Pedro teve de a colocar a soro. Pedro era incapaz de esquecer o verde do seu olhar, desejava toma-la em seus braços – para sempre.
Casados a pouco mais de dois anos viviam uma vida rotineira, comum a qualquer casal. Mas Pedro parecia conjecturar sobre todas as acções e reacções de Ana. Uma ida ao supermercado era motivo de um questionário incessante.
Um dia, igual a tantos outros, saíra do trabalho e dirigira-se a casa, mas desta vez, obstinado – torturado - com o que vira.
- Quem era o homem com quem estiveste a beber café esta tarde?
- Pedro, não sei do que estás a falar.
- Eu vi Ana, não me mintas!
- Pedro, estás a fazer uma tempestade num copo de água!
- Como te atreves a trair-me, como? Eu amo-te tanto!
Ana sentia-se aglutinar em tristeza. Sem forças para reagir ao confronto de Pedro, dirige-se à porta da rua onde achava poder encontrar alguma paz, e sem que pudesse erguer um braço para fora do claustrofóbico apartamento sentiu uma força lança-la contra o chão.
Era apenas mais um dia, outro de muitos que ainda teria de viver encastrado naquela prisão bafienta. Pedro fora condenado por homicídio qualificado. O ciúme havia tomado conta de Pedro e este cometera a pior das atrocidades.
A condenação a que Pedro se submetera era ainda mais dolorosa que a dos tribunais. Pedro não arremessou apenas com a sua liberdade para dentro de uma cela, aniquilou a possibilidade de voltar a ver o sorriso de Ana.
- Tem uma visita, siga-me!
- Visita? De quem? - Pensou
A mãe de Ana mal se continha de raiva, desprezo, ÓDIO, um rol de emoções incontroláveis.
- Está aqui seu verme, está aqui o motivo porque ela estava a beber café naquela tarde!
Uma pequena caixa de cartão que albergava o motivo – secreto.
O olhar de Pedro obscurecera com a caixa – aberta!
- Uma…uma…colecção de selos. - Debruçado sobre as pernas desata num choro atroz.
- Nãooooooooooooooo! – Um grito capaz de esganar o silêncio.
Uma surpresa, uma colecção muito valiosa, encomendada, para acrescentar à colecção de Pedro. Uma verdade – a verdade!
Texto escrito para o Campeonato Nacional de Escrita Criativa


