Faithless


(Imagem da Web)



Muitos foram os momentos de inquietude emocional em que devorei um cigarro atrás do outro, deambulando o olhar por entre pequenos pontos brilhantes timidamente disfarçados no empíreo. Semicerrava o meu olhar enquanto me perdia na imensidão daquela imagem opaca, sentia uma qualquer força sugar-me a energia...de viver!
Encosto o corpo à janela e sinto um frio desconfortável penetrar-me na pele. Obrigo o pensamento percorrer todos os momentos de felicidade que me permitiram amar-te e deles guardar memórias coloridas de uma cumplicidade que não se imaginava sequer ser possível existir na vida de duas pessoas completamente desfasadas. A amargura sofreu inúmeras metamorfoses ao longo do tempo e foi tomando a forma de atração, paixão...!
Foram sucessivas as quebras no equilíbrio da nossa sanidade.
Quando te conheci houve algo que me fascinava, eu sei que houve, e por muito que o tente compreender tornou-se verbalmente impossível descrever a sensação que me assolava o pensamento sempre que te via. O nosso primeiro beijo fez-me apaixonar ainda mais. O doce dos teus lábios, o macio da tua pele, o cheiro...de ti, tudo em ti era mágico e absorvia-me com um poder que não me permitia deixar-te ir. Eu queria-te, tanto, mas tanto que se tornava doloroso desejar não te querer. Perdi a conta das noites a fio que implorei a um qualquer Deus me acudisse e te arrancasse da minha memória.
Tocavas-me no rosto suavemente, encostavas o corpo ao meu e eu sentia o teu calor devorar-me a carne sem que pudesse tocar-te na pele. Fizeste-me desejar-te impacientemente.
 Sempre soube que não estavas preparado para me acompanhar nesta jornada chamada vida, mas arrisquei. Implorei para que largasses a minha mão quando percebi que estava a entrar numa luta inglória, mas tanto tu como eu fomos arrojados, impetuosos. Bebemos do mesmo cálice a volúpia viciante e desafiámos a sensatez do universo.
Cheguei mesmo a acreditar ser possível encontrarmo-nos durante a caminhada de cada um. Fui permitindo vários momentos de abnegação por confiar loucamente que todo o meu esforço, toda a minha dedicação, todo o sacrifício valeriam a pena e que levariam à construção de um futuro para os dois.
Foram incontáveis as noites que me deixei adormecer de cansaço ao som dos soluços provocados pelas lágrimas que me cobriam o rosto. Convencia-me noite após noite que iria deixar-te, que iria esquecer-te. E foram tantas outras noites as que me puxavas para o teu peito e me sussurravas uma mentira atrás da outra de um futuro melhor para os dois.
Culpei-me por acreditar num conto de fadas que nunca existiu. Confrontei-te com a minha dor e vi-te jogar ao lixo todo o amor que existiu...talvez apenas na minha cabeça.  
Abri uma caixa de pandora e confiei ter a força necessária para controlar o que dela saísse. Hoje enfrento o meu próprio purgatório enquanto a vida me pune por tamanha ingenuidade.

Tenho a fé destruída por mãos alheias... tuas.


Comentários

Anónimo disse…
Tinha saudades de te ler. Apesar de ser um desabafo de uma Alma que dói. Mas é tantas vezes da dor, da distonia, da tristeza, que saem as palavras mais mágicas que enfeitiçam quem as lê.
Preferia-te feliz do que escritora. Mas enquanto a primeira não surge, ao menos que dês asas à segunda!!!
Desconfio que sabes quem sou!

Beijinhos