O reboliço

Desafio semanal do Campeonato Nacional de Escrita Criativa:

Um jogador profissional de futebol, um famoso escritor e um professor de educação física estão num museu quando, de repente, se ouve o barulho de um vidro a partir com muita força. Um dos quadros mais valiosos está completamente estragado. O que acontece de seguida?

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(Imagem da Web)



Três homens sozinhos num museu. Escritor, jogador de futebol e um anónimo professor de educação física. – “Hoje em dia qualquer um é escritor.” (diz o jogador para a anónima figura que se apresentava ao seu lado – o professor de educação física. O professor, olhando de soslaio para o jogador sentiu-se assombrado pela imagem do que um dia fora, e estava prestes a divagar no ciúme quando de um assalto único se ouve um estrondo ensurdecedor. Viam-se vidros de formas irregulares espalhados pelo chão mármore – partidos? De olhar inquiridor – quem? As três almas sentiram-se preencher de dúvidas e de uma ansiedade de causa desconhecida, quando num ápice negras sombras invadiram o espaço ocupado pelas mais belas, caras e raras obras de arte – pessoas? Gente de fatos escuros em jeito de filme Kung-fu corriam de forma ordeira em direcção a um alvo – qual? – “Isto é um assalto!” – “Não me digas génio, quanto tempo levaste a decifrar tal coisa?”O confronto entre jogador e professor estava prestes a denunciar a presença destes quando de súbito se ouve o escritor: - “Shiuu! Vocês querem ir desta para melhor?”Encolhidos atrás de um pilar iam murmurando discórdias e exalando ódios pessoais. O Monet – fora mutilado pelos vidros acutilantes que sobrevoaram em direcção à tela aquando da explosão que deu origem ao reboliço. A origem – a tela! Agora deformada pelos erros de cálculo de puros principiantes na arte de invasão de museus. O escritor riu-se – sozinho! Arte de invasão para roubar uma obra de arte! Era a ironia mais hilariante a que se tornara testemunha! – “Pára de rir, queres que nos cortem a goela?”- O professor começava a transparecer os primeiros sinais de fraqueza. E eis quando uma das vestes negras se aproxima do famoso escritor e o observa, por instantes, encolhido atrás do pilar. O olhar taciturno daquele homem de negro começava a atemorizar o pobre escritor que se via prestes a passar pela pior situação da sua vida – o resgate! – “Esperem, eu conheço pessoas capazes de restaurar a tela...” Sem quadro a solução mais viável foi levar o pobre escritor. – “Mas porquê levar o escritor?” (pergunta o jogador) - “Ai que burro pah!”Enleando-se numa sessão de pancadaria são abordados pelos guardas: - “Não está a perceber, não fomos nós que fizemos isto...”

Texto escrito para o Campeonato Nacional de Escrita Criativa

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