Um sonho, uma vida - nós! Fomos palco de tentações e deambulações corpóreas. Foste, és - jamais seremos!
A noite avizinha-se longa, vislumbro teu rosto na água límpida da banheira. Brinco com a água, desenho movimentos de saudade e um suspiro - tu, de novo! Lembro o quanto a vida se tornara jogatana de principiantes em tuas mãos. Vejo teu espírito em tons de cinza - restos!
Desejei ser tua no momento da partida, imaginei o som estridente da arma disparada aquando o começo da corrida - agora contra o tempo. Desperdiçámos a corrida - uma vida!
Deixo-me banhar pela espuma e inspiro os vapores florais que banham a atmosfera que me rodeia. As paredes dispersam no vácuo do meu imaginário e vejo-me - revejo-te, ali, comigo!
Ao som de Samuel Barber vou esculpindo teu rosto na memória - nossa! Poderia pedir-te, implorar até, por uma nova oportunidade. Seria oportunidade ou desperdício - de tempo? Um talvez martela-me o consciente, impede-me de dormir - sonhar! Se ao menos um porquê existisse, talvez fosse possível seguir em frente - sem ti! Quero...preciso quebrar as correntes que me prendem ao "nós". Por favor, deixa-me seguir - sem ti!
Sei que o amanhã será apenas a continuação deste estado amorfo em que me encosto para não decidir - viver!
Pondero todos os contras e não, não te quero ver partir deste sonho. Será esse o problema? Querer como forma de curar-me - de ti? Abomino a possibilidade de ter de partilhar com outro alguém sonhos coloridos, sonhos que só faziam sentido - contigo! Destrói estas amarras - por mim!
Preciso...quero...viver-me - sem ti!

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