Desafio semanal do Campeonato Nacional de Escrita Criativa:
Dois adolescentes conhecem-se no primeiro dia de aulas. Um deles tem um livro escrito. O outro tem como sonho ser escritor. O que vai acontecer?
Dois adolescentes conhecem-se no primeiro dia de aulas. Um deles tem um livro escrito. O outro tem como sonho ser escritor. O que vai acontecer?
*******************************************************

(Imagem da Web)
Era cedo e raiavam restos de um sol de verão findado. Era um dia antagónico para muitos adolescentes – início e fim! Início de mais um ano lectivo, e o fim; de sôfregas aventuras. Dias inteiros ao sabor do nada que os ligava à liberdade de fazerem o quisessem. Mas não para Lucinda. O sorriso moldava-lhe o rosto na liberdade que experimentava, sentada no autocarro, de regresso ao seu mundo – os livros. Lucinda, menina dócil e de poucas palavras. O cabelo escorrido afagava-lhe o rosto e escondia a imagem de uns óculos meio desproporcionais. Tímida, percorre os corredores deliciando-se com os cheiros; os mesmos. O regresso parecia deixa-la extasiada, mas a timidez impedia-lhe de rejubilar para o exterior.
- Oh, desculpa, eu não vi que…
Ao tropeçar num rapaz que nunca tinha visto naquela escola assola-se de mil desculpas tentando resgatar do chão cada folhinha do seu caderno sagrado.
- Posso ver o que tens aí escrito?
O rosto de Lucinda transformara-se por completo; medo, vergonha.
- Dá-me isso, é meu!
Ela saltitava no desespero de recuperar o seu bem mais precioso, as suas palavras; gravadas em folhinhas de papel na esperança de um dia ter coragem de permitir que alguém as lesse em voz alta.
- Para quieta! Se me deixares ler só uma das folhinhas eu prometo que te entrego todas.
O silêncio envolvido naquele momento nauseante para Lucinda parecia não ter fim. Ele iria descobrir o seu segredo, era o momento mais agoniante que vivia na sua tenra idade.
- Como te chamas?
- Já leste tudo? Podes dar-me?
- Só depois de me responderes.
- Lucinda, agora devolve-me o que é meu.
Ele sorriu para ela com uma certa doçura.
- Por favor, devolve-me – o choro era iminente.
- Prazer, sou o Duarte. Escreves muito bem Lucinda, não devias sentir vergonha em mostrar textos tão bonitos.
- Agora já me podes devolver as folhas? Por favor!
Duarte retira da sua mochila uma pasta farta e entrega-a juntamente com as folhas.
- Quero compensar-te por este momento penoso. Eu também gosto muito de escrever, e este é o meu livro que está prestes a ser editado. És a primeira pessoa a quem ofereço um exemplar. Se quiseres, posso entregar as tuas folhinhas às pessoas certas.
Lucinda balbucia umas palavras inaudíveis e agradece no seu jeito tímido.
De sorriso rasgado segue pelos corredores. – Será que devo?
- Oh, desculpa, eu não vi que…
Ao tropeçar num rapaz que nunca tinha visto naquela escola assola-se de mil desculpas tentando resgatar do chão cada folhinha do seu caderno sagrado.
- Posso ver o que tens aí escrito?
O rosto de Lucinda transformara-se por completo; medo, vergonha.
- Dá-me isso, é meu!
Ela saltitava no desespero de recuperar o seu bem mais precioso, as suas palavras; gravadas em folhinhas de papel na esperança de um dia ter coragem de permitir que alguém as lesse em voz alta.
- Para quieta! Se me deixares ler só uma das folhinhas eu prometo que te entrego todas.
O silêncio envolvido naquele momento nauseante para Lucinda parecia não ter fim. Ele iria descobrir o seu segredo, era o momento mais agoniante que vivia na sua tenra idade.
- Como te chamas?
- Já leste tudo? Podes dar-me?
- Só depois de me responderes.
- Lucinda, agora devolve-me o que é meu.
Ele sorriu para ela com uma certa doçura.
- Por favor, devolve-me – o choro era iminente.
- Prazer, sou o Duarte. Escreves muito bem Lucinda, não devias sentir vergonha em mostrar textos tão bonitos.
- Agora já me podes devolver as folhas? Por favor!
Duarte retira da sua mochila uma pasta farta e entrega-a juntamente com as folhas.
- Quero compensar-te por este momento penoso. Eu também gosto muito de escrever, e este é o meu livro que está prestes a ser editado. És a primeira pessoa a quem ofereço um exemplar. Se quiseres, posso entregar as tuas folhinhas às pessoas certas.
Lucinda balbucia umas palavras inaudíveis e agradece no seu jeito tímido.
De sorriso rasgado segue pelos corredores. – Será que devo?
Texto escrito para o Campeonato Nacional de Escrita Criativa
Comentários