Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Tempo de mudar

Desafio semanal do Campeonato Nacional de Escrita Criativa:
Escolha 3 provérbios. Agora escreva um texto em que use um no começo, um no meio e um outro no fecho do texto.

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(Imagem da Web)


- “Mãos frias, coração quente, amor para sempre.”
Dizia a mãe de Maria que a encontrara deambulando em memórias; desgostos. Sentando-se na beira da cama segura suas mãos em sinal de ternura.
- E onde anda esse amor?
- No momento certo saberás onde ele está.
- Sempre no momento certo mãe, é o que todos me dizem. Eu já tive esse amor, acabou, não há mais amor, em lado nenhum, a minha espera.
- Que tolice é essa Maria? Quando é que deixas para trás esse verme que tanto te fez sofrer?
- Ele não é um verme mãe. Eu é que não o merecia.
Maria, no seu estado latente de profunda tristeza e autocomisseração, transborda num choro agoniante. Desliza pela cama e aconchega-se no regaço de sua mãe negando uma palavra de conforto.
- Deixa-me só, por favor!
Encostada ao vazio, Maria parecia definhar a cada segundo, o silêncio – esse – que a confortava e lhe trazia uma pseudo paz de espírito começava agora a metamorfosear. Pior que a solidão era o barulho do eco, o eco do vazio. As paredes ressoavam sons, vozes.
- Estou a ficar louca?
- “Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro.”
- Quem és tu?
- Conheces-me e não me vês, mas existo porque tu existes.
- Que loucura é esta, quem és e porque falas comigo?
- Questões banais que de nada te servirão enquanto não olhares para o âmago dos problemas que te afligem.
- Eu só queria tê-lo de volta. Será assim tão difícil aceitarem essa realidade?
- O que tu queres não é uma solução, é uma vontade de reaver o que pensas te ter sido “roubado”.
- E não foi?
- Não julgues o ser humano como algo adquirível. Continuas e continuarás a ser a mesma pessoa com ou sem “ele”.
- Isso não é verdade.
- Conquistaste experiência. Mais nada. Aprende a amar-te em primeiro lugar.
- Mas quem és tu afinal?
- O teu melhor conselheiro, o Tempo!

- Maria, acorda!
- Hmmm, que se passa mãe?
- Estavas a chorar meu amor, fiquei assustada.
- Estava?
- Sim. Meu anjo, sai dessa cama e vai dar um passeio, tens de acabar com essa tristeza.
Numa desenvoltura tranquila arremessa os cobertores e esboça um sorriso ténue.
- Tens razão mãe. “Águas passadas não movem moinhos!”

5 comentários:

Luis disse...

Olá
estive a ler um pouco os teus textos e gostei da tua forma de escrever, ainda não tive muito tempo para ler mas gostei do que li.
gostei em particular o teu texto da jornada 6. é muito alegre e cheio de vida e juventude.
gostei da Lucinda e consegui viver todas as suas hesitações e duvidas mas tb a coragem para avançar, até me fez sorrir :-)

Tambem participo no concurso e ponho num blog tb se quiseres ver...
http://omeufantastico.blogspot.com

entretanto tb descobri o de outra rapariga http://patriciacarreiro.blogspot.com, mas continuo a preferir os teus :-P

gostava de ler mais textos de outras pessoas que participam se conheceres e souberes que eles tem um blog diz-me por favor

se achares que estou a ser muito metediço apaga este comentário...

Ana "Strobe" Mendes disse...

Olá Luis.
Para já, obrigada pelo teu comentário. É sempre bom saber que outros leem o que escrevemos, e quando daí surgem comentários positivos é ainda mais agradável. Mal tenha um tempinho vou "bisbilhotar" o teu blog...:)
E não estás a ser nada metediço, aparece sempre que quiseres e agradeço sempre uma opinião sincera.
Abraço.

Anónimo disse...

opaaaaah que fixe...
lindo lindo lindo
assina vanessa

Cat disse...

Gostei muito do texto :) Parabéns!

Ana "Strobe" Mendes disse...

Obrigada a todos os comentários. è agradável saber que alguém lê o que escrevemos, e melhor ainda, que apreciam o nosso "trabalho".
Abraço.