Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

Making decisions



(Imagem da Web)






Trago teu cheiro guardado em papel de seda, uma morada, um envelope!

Procuras-me por entre as cinzas e sussurras na madrugada um amor que deveria estar enterrado! E sem que me deixasses tomar consciência do perigo levaste-me a confessar; apenas o que querias!

Sou prisioneira de velhas lembranças.

Admites um fracasso na esperança que uma porta de absolvição se abra? Silencia as vozes que te atormentam e deixa-te ouvir uma vez que seja. Quem foi teu conselheiro? Um copo de whisky e um maço de cigarros? Confessei-te a verdade mas não te posso absolver dos teus pecados, e muito menos consentir que voltes a entrar na minha vida de um modo fugaz!
Perdi o sono, ouço o vento esgueirar-se por baixo da janela e abraçar-me enquanto te tento esconder de novo na memória; avivada por ti!
Acordo este meu aparelho idiossincrático que me faz (re)viver momentos, (re)criar sensações, (re)ocupar vazios, e vejo-te por traz de uma janela de comboio, tento dizer-te adeus mas a única coisa que vejo é o teu casaco negro esgueirar-se pelas escadas da estação. Um adeus que ficou; por dizer!
De bruxo a vidente, vai um leque de seres míticos em que te posso enquadrar. Rasgas-me do sossego nos momentos mais complicados da minha vida, e esgueiras-te com a volatilidade de uma partícula gasosa. Roubas-me o ar e deixas-me pendurada a porquês que nunca terão resposta. És de tal modo viciado a uma pseudo versão do que chamas liberdade que te esqueces estar demasiado acorrentado a esse ideal. Como te conheço…hmmm…we are made of the same bone hone!

Durante anos saciei-me apenas com palavras e lembranças. Mas a inocência esbateu-se juntamente com o azul dos teus olhos, e agora se me queres, terás apenas um ser rabugento e contaminado pela merda que a vida me fez!

Eu sei o que quero, e tu, sabes?

Let’s take this last dance and choose!

2 comentários:

LUIS FERNANDES disse...

Olá, Ana. Um bom texto, sofrido, rasgado na evidência da vida. Um bom desabafo, Ana. Ainda bem que o faz. Mesmo que seja em catarse -tal como eu-, ganhamos nós, seus leitores.
Abraço e obrigada.

P.S. Escreva sempre que possa. Fá-lo como poucos.

Ana "Strobe" Mendes disse...

Obrigada Luis. É sempre agradável receber um comentário seu, tenho-o em grande estima e consideração literária.
De facto tenho estes meus pequenos momentos de catarse que não são mais que meras deambulações num consciente demasiado interrogativo.

P.P.: O que é que se há-de fazer, mulheres! Abraço.