Renascer

(Imagem da Web)



Encosto-me na poltrona que costuma dar vida à minha imaginação. Mas por um qualquer motivo nada toma forma neste consciente inconsciente. As horas passam e as pontas de cigarro amontoam-se bem como o desalento de nada conseguir criar. Noutro qualquer momento tudo seria motivo para traçar umas linhas de raciocínio fantasioso.
Desisto!

A motivação esgueirou-se através do silêncio bem como o teu sorriso daquela noite. Foste o reviver de sensações, há demasiado tempo esquecidas, de um passado que me atormentava a alma. Se ao menos me pudesses desvendar o olhar, saberias que existe muito mais para ler num corpo atormentado do que apenas o desejo! O corpo é a cifra mais complexa do universo que transporta consigo uma chave em permanente mutação. Abneguei-me ao direito de sentir durante demasiado tempo, e o retorno ao mundo das sensações revelou-se tão extasiante como o regresso a um velho vicio, trazendo com isso a velha ressaca. Eu sabia os riscos, e ainda assim, deixei-te entrar neste meu mundo idiossincrático. Se ao menos pudesses ver o quanto me perturbas com esse teu jeito desprendido, com as gargalhadas infantis que desferes por uma qualquer tolice, com a beleza do teu sorriso, com esse jeito de menino que apenas precisa de um canto chamado conforto.
Apenas esse teu jeito de ser!

Tenho vivido estes últimos anos num vazio que se instalou após demasiadas desilusões. Fora-me roubada a inocência, e com ela a credulidade do que outros chamam felicidade. Sonhos desfeitos serviram de pretexto para a clausura. A dor de não sentir tornara-se tão insuportável que procurei em tudo o que me rodeava um conforto que apenas existia na minha vontade. Construí barreiras em meu redor que me barricavam do exterior, numa pseudo crença de protecção; julgara eu! Protegia-me de tal forma que deixei de contracenar no palco da vida. E assim fui-me tornando num ser seco e amargurado. Ensaiei este papel durante tanto tempo que eu própria passei a acreditar ser este o melhor modo de «não» viver.

Sempre te soube de outra, ou talvez outras, mas por um motivo que não sei desvendar transportaste-me para fora desta cápsula, mesmo na impossibilidade de te poder ter. Trouxeste-me de volta à realidade, e agora tudo o que me resta é saber renascer das cinzas e (re)aprender a viver, assim como uma criança que gatinha na avidez de dar o primeiro passo. Não te trago envolto em rancor, pois a dor de sentir é muito mais reconfortante do que a dor de não sentir!

Comentários

Patrícia disse…
talvez devesses voltar a reler o meu antigo blog, os primeiros posts, penso que te encontrarás nessas minhas palavras... nao nos poemas, nas prosas... só porque te percebo e assim ficas a acreditar que realmente entendo o que sentes. Adoro-te mana fofinha :)
São apenas deambulações que volta e meia tomam vida no meu consciente.

Mas eu sei que me entendes mana..:)