When is it enough truly enough?

(Imagem da Web)

Mentimo-nos idealizando uma realidade paralela à qual nos encontramos efetivamente. Criamos um cenário edílico esculpindo uma versão mais harmoniosa da verdade que queremos ver; sentir!
Deixamos o corpo absorver apenas as informações que os nossos sentidos, puramente amolados pela nossa vontade, nos permitem captar. O que queremos, é aquilo que vemos, captamos, sentimos e saboreamos como verdade única e irrefutável. Somos de tal forma egoístas que imaginamos a nossa realidade, aquela moldada por nós, como se a mesma não tivesse sofrido manipulação alguma, como se ingénuos cínicos nos tornássemos por querer contrariar o que realmente nos rodeia.   
Enquanto jovens projetamo-nos para o futuro sem sonhar o quão esmagados seríamos se nos permitíssemos observar o mundo tal como ele é, tal como ele se alimenta de nós. E quando a idade se autopromove sem a nossa permissão, somos confrontados com a difícil decisão de querermos ou não abrir a janela da verdade e observar com olho clínico o que de facto é real, o que de facto estamos a viver, qual o papel que desempenhamos neste jogo chamado vida!

As the song says: Our problems start when we don't die young –  By Silence 4.

Brincamos com a verdade ignorando o quão dolorosa ela se tornará se permitirmos que ela se continue a vestir da mesma forma aprazível que permitíamos na nossa juventude.
A realidade não é doce, não é amarga, não é dura nem macia, é como é, só temos de decidir o quando, quando é que somos verdadeiramente capazes de a aceitar e de perceber se a mesma é ainda suficiente para nós.

Se a realidade outrora cinzelada pela vontade for demasiado aprazível, torna-se de tal forma difícil nos abnegarmos dela como se de uma droga se tratasse.

Os problemas começam quando o cenário que esboçámos assume contornos que não previmos, quando o que outrora fora aprazível se torna doloroso, quando nos apercebemos que afinal o papel em que desenhávamos não era branco mas sim cinzento. Quando as interrogações e os se’s fazem eco no silêncio.  

O ser humano é comodista por natureza, e só quando algo acontece e o abana do conforto em que se encontra é que ele é capaz de ver os perigos que o envolvem se permanecer resistente à mudança.

When is it enough truly enough?

Temos tanto medo de perder o que pensamos ter, que vamos acreditando que o que temos é suficiente, que o que temos nos preenche. Mas afinal o que é que temos? O que significa sentirmo-nos preenchidos?

Comportamo-nos como objetos, como se fossemos um frasco e nele enchêssemos o que chamamos de felicidade, e quando dela sentimos falta, esvaziamos o invólucro e sentimo-nos vazios.
Somos tão patetas que ousamos pensar não ter culpa deste processo mecânico e automático que é o de sentir o preenchimento sentimental tão vorazmente como o vazio absoluto e castrador.
Somos culpados e sentenciados a estes tropeções pela incapacidade de nos interrogarmos se o que temos é verdadeiramente suficiente.


Será que o suficiente que nos permitimos ter é realmente suficiente?   

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